'Resident Evil' é um Soco Brutal e Hilário na Direção de Zach Cregger

Austin Abrams foge de zumbis nas ruas nevadas de Raccoon City em Resident Evil (2026)

O caminho até o novo Resident Evil (2026) foi tudo menos tranquilo. Vindo dos sucessos de crítica e bilheteria de Barbarian (2022) e Weapons (2025) — que rendeu um Oscar para Amy Madigan —, seria de se esperar que a chegada de Zach Cregger a uma franquia de games tão amada fosse recebida de braços abertos. Só que boa parte dos autodeclarados fãs de Resident Evil reagiu com ceticismo e rejeição diante da proposta do diretor, justamente por ele ter optado por uma história completamente original em vez de adaptar diretamente um dos jogos da Capcom. Segundo o crítico Andrew J. Salazar, do DiscussingFilm, essa indignação de parte do público não se justifica.

Ainda assim, é compreensível certa frustração: já são mais de duas décadas de tentativas fracassadas de adaptar o material original, com as inconsistências autoindulgentes atribuídas a Paul W.S. Anderson como maior exemplo. A franquia estrelada por Milla Jovovich nos anos 2000 e 2010 até tem seus fãs cultuados, mas personagens icônicos como Jill Valentine e Leon Kennedy nunca ganharam a adaptação para os cinemas que mereciam. Segundo a crítica, porém, os primeiros 20 minutos do novo filme já deixam claro que vale a pena esperar mais um pouco — porque o resultado impressiona.

'Resident Evil' é um Soco Brutal e Hilário na Direção de Zach Cregger

Uma história original que entende os fundamentos

Escrito por Cregger em parceria com Shay Hatten (de Ballerina e Rebel Moon), o filme joga o espectador direto na pior noite da vida de um entregador de encomendas médicas. Atraído pela promessa de pagamento em dobro, Bryan Hodukavich (Austin Abrams) aceita fazer uma entrega de última hora para o Hospital Geral de Raccoon City. Distraído por problemas com a namorada, ele acaba se envolvendo, sem perceber, nos esquemas da Umbrella Corporation — responsável por espalhar o vírus T entre os moradores da cidade.

'Resident Evil' é um Soco Brutal e Hilário na Direção de Zach Cregger

Cregger já descreveu o filme como uma narrativa direta de sobrevivência e terror, acompanhando um único personagem numa jornada perigosa do ponto A ao ponto B — e a descrição é precisa. Depois das complexidades narrativas de Weapons, essa simplicidade poderia ter soado como um passo atrás, mas encaixa perfeitamente com o protagonista "comum" vivido por Abrams e com o ritmo acelerado, quase remetendo à estrutura de um videogame.

Cregger captura o verdadeiro espírito monstruoso da franquia

Há uma certa ironia no fato de Cregger ter sido tão criticado por não fazer uma adaptação direta, já que o filme, segundo a crítica, captura o espírito da franquia da Capcom melhor do que qualquer tentativa anterior no cinema. A lógica de sobrevivência dos jogos está toda ali: busca constante por munição, armas melhores e novas formas de enfrentar diferentes tipos de infectados. É possível sentir o instinto de sobrevivência de Bryan evoluindo ao longo do filme, conforme os inimigos ficam mais perigosos.

Cregger também cria uma criatura original que persegue Bryan pela cidade — não é nenhum bioarma icônico como Mr. X ou Nemesis, mas algo igualmente perturbador e alinhado ao tom "nojento" do filme. Segundo a crítica, alguns dos infectados parecem claramente inspirados em Resident Evil 7: Biohazard e Resident Evil Village, títulos que o próprio diretor já citou como favoritos.

'Resident Evil' é um Soco Brutal e Hilário na Direção de Zach Cregger

Austin Abrams, um "NPC" hilário viralizado a protagonista

O que chama atenção é que o filme funciona tanto como comédia sombria quanto como terror puro. O humor incômodo é marca registrada do diretor, e aqui ele intensifica essa fórmula ao imaginar o que aconteceria se um "NPC" qualquer fosse jogado de repente no papel de protagonista de um jogo de terror cruel. Abrams, que também estará em Whalefall (2026), aproveita bem esse material: sua ingenuidade inicial dá o tom de um cara comum que, por azar, vai parar no meio do apocalipse zumbi. Segundo a crítica, o humor do filme foi feito sob medida para quem já jogou algum título da franquia — puzzles irritantes, munição escassa e cadeados sem fim vão soar familiares.

Depois da polêmica online, o diretor ri por último

Outro ponto elogiado é a linguagem visual: Cregger mantém a câmera sempre na perspectiva de Bryan, incluindo cenas em primeira pessoa por corredores escuros, lanterna trêmula e espingarda em punho. Como o protagonista não sabe o que a Umbrella está fazendo em Raccoon City, cada criatura que aparece surpreende tanto ele quanto o público — construindo um clima de tensão constante até um final grotesco e sangrento.

Mesmo sendo uma história original, a versão de Cregger para Resident Evil eleva a régua para adaptações de videogame ao capturar o espírito demente do material-fonte enquanto propõe algo próprio e inventivo. O filme termina com uma última piada que talvez não agrade a todos, mas reforça o tom de humor sombrio e adrenalina que marca essa interpretação. No fim das contas, quem ri por último é o diretor.

Ficha técnica

Estreia: 18 de setembro de 2026
Direção: Zach Cregger
Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten
Elenco principal: Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser e Johnno Wilson
Duração: 90 minutos
Classificação: R (conteúdo adulto)
Distribuição: Sony Pictures

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Escrito por As Noticias, quarta-feira, 16 de setembro de 2026