Em Quem Ama Cuida, Antes de qualquer plano de retorno ao Brasil, o público conhece um lado bem mais vulnerável de Heitor (Renato Góes): sozinho em um acampamento no exterior, ele reflete sobre o pai que deixou para trás e admite o próprio egoísmo.
A primeira cena do personagem em Quem Ama Cuida o mostra folheando antigas notícias sobre a morte de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), sem qualquer intenção aparente de voltar para casa — até então, ele segue sendo dado como morto por toda a família.
"Já não volto ao Brasil há muitos anos"
Ao conversar com outro viajante no acampamento, Heitor revela de onde vem e há quanto tempo está afastado do país. "Estou vindo do Nepal, já não volto ao Brasil há muitos anos", diz, tratando a ausência quase como um dado natural da própria rotina, sem demonstrar culpa aparente diante de um estranho.
Ele ainda completa que não sente falta de ninguém que esteja vivo no Brasil, uma fala que reforça o tamanho da ruptura que escolheu viver com a própria família — e que contrasta diretamente com o que vem a seguir.
Diante de uma fotografia antiga, a máscara cai
Sozinho, olhando para uma antiga fotografia de Arthur, Heitor deixa de lado o distanciamento que acabou de demonstrar e lamenta os conflitos do passado com o pai. "Eu voltaria, pai. Se fosse também uma volta no tempo. Hoje eu sei que fui egoísta", diz, em um raro momento de vulnerabilidade que humaniza o personagem antes mesmo de sua volta oficial ao Brasil.
Um contraste que define o personagem
A cena estabelece a dualidade que deve marcar a trajetória de Heitor daqui em diante: o homem que se apresenta como indiferente ao passado, mas que por dentro carrega o peso de decisões que não pode mais desfazer. Esse remorso silencioso ajuda a explicar por que ele escolhe investigar a morte do pai por conta própria antes de se revelar aos Brandão, como se tentasse, de alguma forma, se redimir por anos de distância.
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